Portal Vozes 365 lancará o documentário “Salve o Vaza-Barris”


O Portal Vozes 365 (@vozes365) lancará o documentário “Salve o Vaza-Barris“. Já foram realizadas algumas entrevistas e captações com moradores e lideranças locais:


Na legenda temos:

“Enquanto o poder econômico avança, tradições são silenciadas.
Comunidades antigas estão sendo transformadas.
Modos de vida estão desaparecendo.
E a relação entre as pessoas e seus territórios está sendo rompida.
Não estamos falando apenas de urbanização.
Estamos falando de meio ambiente.
De direito ao território.
De proteção das comunidades tradicionais.
De transparência pública.
E, sobretudo, de dignidade.
A convite da associação das comunidades, pesquisadores e estudiosos, o Vozes365 iniciou a construção de um documentário sobre o que vem acontecendo na chamada Zona de Expansão de Aracaju.
Ou talvez seja mais honesto chamar de Zona de Exploração.
Isso é apenas o começo.”

Aguardamos o documentário com ansiedade!

Coletivo reúne forças em defesa do Vaza-Barris

Encontro no Recanto São Miguel articula moradores, academia e políticos contra impactos de megaprojeto, com foco em união e ações concretas

No último dia 16 de junho, o Recanto São Miguel, em Aracaju, sediou uma reunião decisiva do Coletivo “Salvemos o Vaza-Barris”. O encontro articulou moradores, parlamentares, representantes de mandatos, acadêmicos e lideranças comunitárias em torno da situação crítica da Bacia do Rio Vaza-Barris, fortemente afetada por obras de macrodrenagem e pela construção de uma autoestrada. 

Criado há cerca de dois anos, o movimento busca conter os graves impactos que já se manifestam na região: devastação de trechos do manguezal, derrubada de árvores centenárias, poluição das águas, contaminação do lençol freático, remoção forçada de ribeirinhos e povos originários, além da forte especulação imobiliária que impulsiona o adensamento populacional irregular.

No decorrer da obra, a população tem sofrido, dentre outros problemas, com a inviabilização das vias públicas (inclusive com prejuízo de acesso a serviços básicos, como policiamento, SAMU; transportes; entregas, etc), além de constante fluxo de veículos pesados da obra, causando acidentes (rupturas das linhas de transmissão de energia elétrica e internet), poeira, lama, ruído e vibração excessivos.

Diagnóstico e críticas ao modelo de desenvolvimento

A abertura dos trabalhos destacou a urgência de firmar parcerias políticas e institucionais para minimizar os estragos já consumados e barrar novos danos. O orçamento milionário da obra torna a contestação um desafio que exige ampla articulação.

Segundo as falas convergentes dos presentes, a devastação ambiental e social na região atende a um modelo predatório, que transforma a área em vetor de condomínios e megaempreendimentos — repetindo práticas já observadas em outras localidades do litoral sergipano. Criticou-se duramente a invisibilização das comunidades tradicionais nos processos de licenciamento, em flagrante desrespeito à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), além da estratégia sistemática de dividir a população para cooptá-la. 

Oferecendo empregos temporários e promessas ilusórias de “progresso” associado a concreto e asfalto, os empreendedores conseguiram fragmentar parte da resistência. 

Outro ponto unânime foi a necessidade de refazer a comunicação interna do movimento. Em vez de polarizar a comunidade entre “a favor ou contra as obras”, defendeu-se a estratégia de focar nos pontos que unem todos os moradores: a qualidade da água, o acesso público ao rio e a emergência da elaboração de um plano estruturado de sinalização e proteção ambiental local. Alertou-se ainda que o projeto sequer apresentou o plano de saneamento básico exigido por lei — uma irregularidade grave, considerando que a mesma empresa responsável já foi multada em outros estados por danos ambientais semelhantes (fruto das consequências negativas já evidenciadas em outros processos de privatização).

Propostas estratégicas e compromissos políticos.

Do ponto de vista político, ressaltou-se a importância do período eleitoral como janela de oportunidade para cobrar compromissos. Vários pré-candidatos e parlamentares presentes se colocaram à disposição da luta, oferecendo não apenas a voz em tribunas, mas também estrutura jurídica e articulação nas escolas para envolver a juventude e os professores no debate.

Ficou evidente que, embora a população local tenha sido historicamente abandonada pelo poder público (em aspectos como saneamento e pavimentação), o atual processo destrutivo não pode ser aceito como solução. Pelo contrário, trata-se de uma estratégia de sucateamento dos direitos sociais para, em seguida, apresentar serviços privatizados como única alternativa.

Demandas e encaminhamentos concretos

Ao final das exposições, o coletivo consolidou uma pauta objetiva de ações imediatas, que foram assim elencadas no encaminhamento final:

1. Elaboração de carta-compromisso direcionada a candidatos e pré-candidatos, exigindo assinatura pública em defesa do território, da população local, da transparência e do respeito à democracia na gestão ambiental.

2. Petição por audiência pública e inspeção no Tribunal de Contas do Estado (TCE), com mobilização dos presentes para assinatura coletiva e cobrança junto à relatoria responsável.

3. Lançamento de moção de apoio digital, a ser disseminada entre professores, trabalhadores e outras categorias, para pressionar autoridades e o governo federal.

4. Realização de plenária unificada na Universidade Federal de Sergipe (UFS), já em diálogo com o DCE, para construir uma carta-convite atualizada e ampliar a frente de defesa das águas, dos manguezais e dos povos tradicionais.

5. Proposição de lei municipal ou estadual para regulamentar o acesso público aos rios, nos moldes já existentes em outras unidades da federação, com pesquisa prévia sobre a legislação federal vigente.

6. Cobrança pela execução efetiva de projetos de lei já aprovados e financiados, como o mapeamento de lagoas e a proteção de mangues, atualmente paralisados.

7. Criação ou fortalecimento de um Comitê da Bacia do Vaza-Barris e de uma frente parlamentar na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa, atualizando as pautas ambientais para maior visibilidade legislativa.

8. Reconhecimento formal de grupos tradicionais como patrimônio cultural imaterial, com ênfase no Samba de Coco e nas Canoas Sergipanas, cujos processos já estão protocolados.

9. Revisão das indenizações e garantia de assistência social adequada para as famílias removidas, que atualmente sofrem com avaliações arbitrárias e falta de documentos.

10. Fortalecimento da unidade entre partidos e mandatos, formalizando uma frente parlamentar suprapartidária para atuar de maneira coordenada em defesa da região.

O encontro foi encerrado com a sensação de que a luta, embora árdua, ganha novo fôlego com a diversidade de atores engajados. A defesa do Vaza-Barris é, em última instância, a defesa da vida, da cultura e do direito ao território — um chamado que ecoa muito além das margens do rio.

Foto da capa: Pilar Guido (@pilarguido)

A importância da participação social no processo eleitoral do Comitê do Rio Sergipe

O Governo de Sergipe, por intermédio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas, prorrogou até 11 de julho de 2026 as inscrições para o processo eleitoral do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe – Gestão 2026/2029. A medida, publicada no Diário Oficial do Estado, visa ampliar a participação das entidades representativas dos segmentos que compõem o colegiado e garantir maior oportunidade para apresentação de candidaturas, assegurando ampla concorrência no pleito.

Mas, afinal, por que é tão estratégico que entidades e cidadãos se inscrevam e participem ativamente desse processo?

O que é o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe?

Os Comitês de Bacia Hidrográfica são instâncias do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e constituem fóruns nos quais representantes da comunidade de uma determinada bacia discutem e deliberam sobre a gestão das águas, em parceria com o poder público. No caso do Rio Sergipe, o comitê é formado por membros titulares e suplentes, com mandatos de três ou quatro anos conforme seu regimento interno. As vagas são distribuídas de forma paritária entre três segmentos: usuários de água bruta, entidades da sociedade civil e poder público.

Por que a participação social é tão relevante?

A gestão participativa dos recursos hídricos é um dos alicerces da Política Nacional de Recursos Hídricos. Quando sociedade civil, usuários da água e poder público compartilham decisões, os resultados tendem a ser mais equilibrados, transparentes e efetivos.

O Rio Sergipe é um dos mais importantes corpos d’água do estado, fundamental para abastecimento humano, irrigação, atividades industriais e preservação ambiental. As decisões do comitê afetam diretamente a vida de milhões de sergipanos – desde a emissão de outorgas para uso da água até a definição de normas para conservação dos mananciais e recuperação de áreas degradadas.

A participação ativa de entidades representativas assegura que diferentes perspectivas sejam consideradas, especialmente as das comunidades mais vulneráveis, que costumam ser as mais impactadas pela escassez ou pela má gestão hídrica.

O que muda com a prorrogação das inscrições?

O prazo original, que se encerraria em 11 de junho de 2026, foi reaberto e agora vai até 11 de julho de 2026. As inscrições já realizadas dentro do prazo anterior continuam válidas, sem necessidade de novo cadastramento.

Com a ampliação, o calendário eleitoral prevê a análise das inscrições entre 12 e 17 de julho, com divulgação da lista preliminar das entidades habilitadas em 20 de julho. Haverá prazo para recursos e, após a análise, a lista definitiva será publicada em 5 de agosto. A Plenária Setorial – momento em que os inscritos habilitados votam e elegem os representantes – está marcada para 20 de agosto, e a posse dos novos conselheiros ocorrerá em 29 de outubro.

Quem pode se inscrever e como fazer?

Podem participar entidades representativas dos três segmentos que compõem o comitê:

  • Sociedade Civil: organizações não governamentais, associações, fundações e instituições com atuação nas áreas ambiental, social ou educacional.
  • Usuários de Água: indústrias, empresas de saneamento, agricultores e demais que utilizam água bruta.
  • Poder Público Municipal: prefeituras e órgãos municipais.
  • Poder Público Estadual: órgãos e entidades da administração estadual.

Os formulários de inscrição estão disponíveis nos seguintes links:

Todas as regras, editais e orientações complementares podem ser consultados no site oficial da Semac.

Por que sua entidade não pode ficar de fora?

A gestão das águas não é um tema distante – ela está diretamente ligada à qualidade de vida, à segurança hídrica e ao desenvolvimento sustentável de Sergipe. Sem a representação plural, o comitê corre o risco de tomar decisões descoladas da realidade local, o que pode comprometer a eficácia das políticas públicas.

Além disso, integrar o comitê é uma oportunidade única de influenciar diretamente as deliberações sobre os recursos hídricos, fiscalizar a aplicação do Fundo Estadual de Recursos Hídricos e contribuir para a construção de um futuro mais justo e sustentável para as próximas gerações.

As inscrições são gratuitas, o prazo está aberto e a participação é essencial. Participe!


Serviço

  • Evento: Processo Eleitoral do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe – Gestão 2026/2029
  • Inscrições: até 11 de julho de 2026, exclusivamente on-line
  • Editais e informações: site da Semac

Foto: Victor Adriano